sábado, 21 de julho de 2012

Sobre mim, nos dias de hoje

Hoje eu mando na minha própria cozinha, que é o cenário de muitas das minhas prazerosas experiências.

Sou totalmente aberta aos novos sabores e produtos, sou fã das especiarias do poder transformador quase magico que elas tem.

Acho interessante o poder da comida nas relações humanas. Valorizo bons momentos de partilha com amigos em torno de uma mesa, e acho que ninguém deveria comer sozinho.

Aprendi a gostar de vinhos, a degustar, a tentar identificar os aromas e os sabores. Estou num lugar privilegiado para isso, que é capaz de me surpreender quando eu menos espero.

Não tenho restrições alimentares, mas tenho uma lista de produtos que eu não aprecio.

Entre eles:
ostras cruas - para mim tem gosto de água do mar com uma textura nojenta;
carne de boi ou de porco crua (ou com sangue) - não gosto do gosto nem da textura e também por medidas de higiene e saúde pública.
peixe cru - com raras exceções, quando como sushi (o que acontece uma vez em cada 10 anos)
adoçantes - não gosto do sabor, consigo detectar o aspartame a quilômetros de distância, e evito o consumo. Estes produtos mudam o sabor dos alimentos (para pior) com o pretexto de dizer que adoçam. Os efeitos colaterais de tudo isso não são expostos, dizem que podem ser até cancerígenos. Na duvida, prefiro evitar.
refrigerantes - não me sinto bem quando tomo bebidas gaseificadas em geral. Não me lembro da última vez que eu tomei, faz anos. O açúcar em excesso não me agrada, os adoçantes menos ainda. Prefiro um suco, ou uma água. E durante as refeições, não tomo nada. A saliva é mais do que suficiente para umidificar os alimentos, além de não dilatar o estômago.

salmão, presunto e outros produtos "crus" ou defumados eu como, pois foram "cozidos" no sal.
cebola crua - posso até comer, mas não gosto
bacalhau - até como, mas não sou fã
escargot ou caramujos - até como, mas tenho pavor ao animal em si, jamais faria na minha cozinha
maçã pura, crua - como numa salada de frutas ou de legumes, em preparações cozidas, assada, caramelizada, ao forno, mas não pura sozinha. Acho sem graça.
figo - até como, mas acho o sabor meio terroso e desagradável
tâmaras - também não aprecio muito. Certamente por não ter o hábito de comer.

Eu gosto de sobremesas, de chocolate, de frutas, de doces, mas estou naturalmente diminuindo meu consumo de açúcar.

Adquiri o habito de tomar chá verde de manhã, outros chás (preto e branco) e infusões ao longo do dia, todos sem açúcar. Ainda uso um pouco de açúcar no café, quando o tomo puro. Se tomar com um pedaço de chocolate, ou algo doce, dispenso o açúcar. A hora do café ou do chá é o momento de conversar com os amigos na mesa, ou com os colegas do trabalho, saber mais sobre família, lazer, costumes.

Também passei a comer uma fruta no lanche da manhã. Pera, pêssego, ameixa, morangos, cerejas, banana. Um momento íntimo aproveitando o sabor de cada uma e me abastecendo de energias.

Sempre preparo almoço em casa e levo para o trabalho, onde temos um micro ondas e um forno. Assim evito de ir ao restaurante de um shopping todos os dias e de me empanturrar de batatas fritas e outros alimentos congelados. A hora do almoço é o momento de esquecer o trabalho, apesar de continuar dentro dele. Muitas pessoas preferem ir almoçar em casa (quando moram perto), ou ir caminhar um pouco.

Aprendi a tomar sopas no jantar, com uma torradinha, um pedaço de queijo, quando o tempo esta frio. Ou saladas bem caprichadas no verão. O que me satisfaz plenamente, aquece o corpo e faze um carinho no estômago.

Depois, um iogurte natural de sobremesa com mel ou uma geleia de frutas (caseira, quado possível) e sempre junto uma colher de gérmen de trigo. O gérmen de trigo é a parte mais nobre do trigo. A planta coloca todas as suas melhores reservas nutritivas para que ele se prepare para germinar.

Gosto muito de peixes e frutos do mar. De carnes cozidas no fogo baixo, lentamente, durante horas, para liberar todos os seus sabores e ficarem bem macias. Geralmente faço molhos bem suculentos, com cerveja preta, vinho branco ou tinto, especiarias e legumes. Enquanto a carne cozinha, as pessoas discutem tranquilamente, até esquecer a comida no fogo.

Para sobremesas, não sou fã de tortas muito meladas, nem muito doces. Para muitos, chocolate com morango é uma combinação dos deuses. Eu prefiro chocolate com laranja, ou com pera. O morango sabe se virar muito bem sozinho. Não aderi aos modismos e aos nomes (ainda). Para mim um bolo é um bolo, seja ele cupcake (para mim continua sendo bolo de bacia - que eu sempre adorei), muffin ou similares.

Gosto de ingredientes inusitados nas preparações. Ervas diferentes, frutas na comida salgada, o agri-doce, um toque ácido, um pouco de pimenta, de gengibre.

Chegando à França, me deparei com ingredientes nunca antes vistos nas feiras e nos supermercados. Procuro prová-los e acomodá-los da melhor maneira possível. Para isso, sigo receitas clássicas, ou invento ao meu gosto. Mas gosto de prová-los nem que seja para dizer que eu não gostei.

Já comi escargot, rã, formiga, coelho, bode, ovelha, foie gras. Gostei de todos, sem rejeitar antes de provar ou me proteger dentro de ideias concebidas por outros. Eles são bem-vindos na minha cozinha (tirando os escargots, que eu tenho pavor - pode rir!).

Gosto de planejar um cardápio semanal e ir fazer compras em função disso. De preferência na feira do domingo, que eu acho fantástica. Gosto de ir mesmo se não tiver nada para comprar. Só  pelo ambiente, o burburinho das pessoas, a cidade viva em cores e cheiros. Cheiro de frutas, de peixe, de carne, de frango sendo assado. O som das cestas, sacolas, roçando nas folhas e nas saias das mulheres. As crianças correndo, se perdendo no meio da pessoas. As ervas frescas, ainda úmidas, as frutas da época em temperatura ambiente, com mais sabor.

O que me falta é tempo para poder provar e fazer tudo o que eu desejo. Mas isso não se resume à culinária. Tenho ânsia de viajar, explorar novos países, povos, culturas, aprender e descobrir hábitos milenares. Adoro ouvir histórias e imaginar as razões de hábitos tão peculiares. Adoro saber o porquê das coisas. Desde pequena. Dizem que as crianças tem a fase do porquê. A minha dura até hoje.

Minha visão do Brasil mudou desde que eu não moro mais nele. Para explicar onde eu morava, ao invés de dizer que era em tal rua, em tal bairro, perto de tal colégio, passei a explicar geografia do Brasil. Na maioria das vezes as pessoas se contentam em saber que era em um apartamento a 3 ruas da praia, numa cidade litorânea com x milhões de habitantes. A população da cidade e do país foram as primeiras informações via Wikipédia. Eu não tinha ideia! Me contentava em pegar o ônibus, fazer 2 horas de trajeto por dia para ir à faculdade e voltar. Sem olhar muito ao redor. Sem saber que eu estava vivendo num formigueiro humano. Mapa da cidade? Tinha visto uma vez, quando meu primo que veio de outra cidade foi morar lá. Nunca usei. Conheço as ruas como a palma da minha mão. Pelo cheiro, pelas cores, pelo barulho e pela quantidade de gente que passa.

Hoje, quando chego numa nova cidade, gosto de ver os monumentos, tirar fotos. Mas gosto também de ir nos mercados, nos restaurantes que não sejam pega-turista, nas ruas residencias, cruzar com os habitantes nas suas vidas normais, ver o comportamento da população no cotidiano trabalho-escola-lazer. Gosto de saber se a cidade é real ou se é feita para os turistas. Muitas são somente feitas para turistas. São cidades frias, sem alma, sem calor humano, onde os moradores são paradoxalmente descontentes com o turismo, mas necessitam dele para viver.

Dizem que viajar vicia. Que abre a mente e torna as pessoas mais tolerantes. Acho que o fundamental é respeitar as diferenças, tentar entender as razões do outro e mostrar também o seu ponto de vista.

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