segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Alcântara - Maranhão e Comidas de viagem

Continuando os relatos da nossa viagem, fomos para Alcântara, no Maranhão. Devo dizer antes de tudo que a nossa estadia em São Luís do Maranhão foi escaldante! Que calor é aquele, em pleno início de novembro? Quem diz que faz calor em Recife é porque nunca foi em São Luís. E para nossa surpresa, nos disseram que em Alcântara era ainda mais quente, porque a gente estava ainda mais perto da linha do Equador.


Eu achei que era brincadeira. Mas não era! Sabe aquele calor, aquela quentura, que vem da terra, do chão onde estamos pisando? Pois era assim.



Voltando para Alcântara, esta cidadezinha é encantadora. A nossa ida até lá foi uma aventura. Pegamos o barco em São Luís antes das 9h da manhã. Vários barcos e catamarãs fazem esta travessia, que dura cerca de 1 hora e meia.
Quem fala em barco, fala em balanço das ondas do mar. Sim, porque não é a travessia ao longo de um leito de um rio calmo e sossegado, é uma travessia no mar, em pleno Oceano Atlântico. E por lá o mar é sempre muito agitado. O balanço do barco causa náuseas em grande parte das pessoas. A nossa sorte foi que pegamos o mar em um dia "calmo". Para mim estava agitado o suficiente, meu namorado ficou enjoado na ida, e eu na volta!

Durante a travessia, avistamos o porto de São Luís, que, segundo informações de um senhor que estava atravessando conosco, professor de Engenharia do Trabalho no CEFET (ou algo equivalente) em Alcântara, é um dos mais importantes do Brasil. Por ele, toda a produção da Vale do Rio Doce da Serra dos Carajás, no Pará, é escoada para o exterior. Os minérios chegam de trem até o porto, e seguem viagem de navio para vários lugares do mundo. Este porto tem uma característica muito importante, é a profundidade do seu canal, que chega a mais de 100 metros. Este canal permite o uso de navios de carga tão grandes que só conseguem atracar em 2 portos do mundo: nele e no porto de Roterdã, na Holanda.
O porto ficou pra trás, muitos e muitos navios esperando para serem abastecidos também, e depois de muito balanço, chegamos até Alcântara.

Chegando lá, fomos encaminhados para um centro de atendimento ao turista, onde podemos contratar uma visita guiada, comprar lembrancinhas e se localizar geograficamente. Este é um ponto de apoio importante, onde podemos encontrar banheiros, e uma loja com água (calor!), lanches e sucos.


Alcântara é visivelmente dividida em "parte histórica", tombada e preservada, e a "parte vida local", onde os turistas são advertidos a não entrar (!!!). A parte histórica é repleta de museus, casarões antigos, ruínas, alguns restaurantes e lojas. Tudo evidentemente voltado para os turistas.


 

Na parte "vida local" (sim, nós ousamos ir até lá), encontramos armazéns, lojas, casas e vários restaurantes com pratos regionais, mas sem o glamour da outra parte.

E foi num destes restaurantes locais, fora da parte turística, que a gente comeu um delicioso sururu ao molho de coco. Coisa simples, saborosa, aquele gosto de comida feita em casa (por sinal, era numa casa de família, onde o jardim foi reformado para receber as mesas e tinha uma pia para lavar as mãos).
Para quem não conhece, sururu é uma espécie de mexilhão, pequeno, saboroso e abundante nas praias do Nordeste do Brasil.
O nosso sururu ao molho de coco foi servido com um prato generosamente guarnecido com arroz, macarrão e uma saladinha de repolho, tomate e pepino, além de um potinho com feijão (deliciosamente temperado), e farofa.


Saímos de lá felizes da vida, de barriguinha cheia, e tentamos chegar nas praias. Mas acabamos desistindo, depois de andar muito no sol quente de meio-dia, sentindo o calor que vinha da terra, e mais o sol que queimava a cabeça, e a praia que não chegava nunca. O mais perto que chegamos era um mangue, que precisávamos atravessar de jangada para chegar a uma praia belíssima e convidativa do outro lado. Mas valeu o passeio.


Normalmente, os horários dos barcos que vão até Alcântara variam com a maré, pois com a maré muito baixa eles não conseguem atracar nem em Alcântara, nem em São Luís. E varia também de acordo com a forma do barco, os catamarãs podem atracar com menos profundidade. Pegamos o barco de volta para São Luís às 14h, o último que ia para a ilha. Mas antes, atravessamos a cidade de volta, naquele sol escaldante e que queimava até os pensamentos! A nossa salvação foi encontrar uma árvore frondosa que oferecia sombra, onde paramos alguns minutos, em meio a uma paisagem linda, cercados de casarões e de histórias, bem atrás das ruínas da igreja principal.




Dizem que Alcântara, que já foi uma cidade próspera, centro importante de comércio e de agricultura da região, um dia se preparou toda para receber a visita do então imperador do Brasil, Dom Pedro II, construindo casarões, igrejas. Depois de anos de trabalho, a visita não aconteceu, mas a cidade guardou esta lenda com muito carinho. A parte histórica da cidade é protegida pelo IPHAN, que tem um centro bem na praça principal.


Como lembrança a esta visita que nunca aconteceu, a cidade criou um doce, o doce de espécie, que seria oferecido a D. Pedro II, dizem que foi baseado num doce português A explicação não me convenceu muito, pois trata-se de um doce feito de coco (que eu acho que é algo que se encontra mais facilmente no Brasil do que em Portugal, mas poderia ser também uma influência açoriana, como diz o Wikipédia). Mas vale a pena provar o tal doce. Ele tem uma base, como uma casquinha bem fina e crocante, e tem um corpo de doce de coco, delicioso, e uma cabecinha, o que o faz lembrar uma tartaruga. Encontramos este doce também em São Luís, mas dizem que ele vem direto de Alcântara.



Além de Alcântara, visitamos São Luís, mas não tiramos muitas fotos. Vale a pena ir no mercado municipal, situado no centro histórico, para provar a Tiquira (é nessa hora que a gente reconhece os corajosos!). Ela é uma bebida alcoólica feita da mandioca, e como dizem as pessoas de lá, é uma bebida tipicamente brasileira pois é feita de uma planta originária da América do Sul, contrariamente à cana de açúcar, que foi trazida de fora e da qual fazemos a cachaça.

O texto ficou longo, mas foram tantas coisas boas que a gente viu nesta viagem, que mereciam ser partilhadas.

Para quem não viu, já mostrei um pedaço da nossa viagem:
Notícias
Comidas de viagem - sorvetes Frutos do Cerrado - Brasília
Praia dos Carneiros - Pernambuco
Comidas de viagem - Cafofo da tia Dica - São Luís do Maranhão

Chapada dos Veadeiros - Goiás  
Comidas de viagem - Restaurante Maria Maria - Recife - Pernambuco

8 comentários:

  1. Bom dia Kati,
    Alcântara é linda, muito rica em história, gostei muito de conhecer os deliciosos o doce de coco e o sururu, obrigada por mostrar um pouco mais deste imenso Brasil.
    Beijo, boa semana,
    Vânia

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  2. Oi, Kati...
    Gostei muito de viajar contigo até Alcântara... até parece que saboreei o sururu e provei o doce de especie!
    Beijinhos
    paula

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  3. Nossa , que vontade de ir ja voando para o Brasil!!!

    Kati antes de mais minha querida obrigado pelas suas palavras lá no meu cantinho!!

    Um excelente 2013 para vc e sua familia!!

    E depois da proxima que cê for para o Brasil me avisa, ou faz uma paragem em Portugal que eu vou com vc!!

    Ja agora vou deixar o convite para visitar Portugal, terei o maior prazer em recebe-la por cá!!

    Beijocas

    Margarida

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    Respostas
    1. Margarida, obrigada pelo carinho.
      Pode ter certeza que na minha próxima viagem para o Portugal, vou querer te conhecer, vai ser um prazer!
      Ainda não sei quando vou para o Brasil, mas te aviso e você vem comigo!
      Beijos

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  4. Fiquei com muita vontade de voar para o Brasil já amanhã! Obrigada pela partilha :)

    Beijos*

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  5. Olá Kati, obrigada pela visita ao meu cantinho e pelo seu carinho.
    Entre os seus posts vi este que me deixou curiosa, e com vontade de experimentar.
    O sururo ao molho de coco, se me puder dar alguma dica mais sobre ele , fico agradecida.

    bjs

    Mariana

    gostopelossabores.blogspot.com

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    Respostas
    1. Oi Mariana,
      obrigada pela visita e pela participação aqui no blog.
      Sururu é uma espécie de mexilhão, pequeno e abundante nas praias do Nordeste do Brasil. Este molho leva cebola, pimentão verde, tomate e leite de coco. Minha mãe costuma preparar assim, e esta é a forma tradicional como ele é servido.
      Acho que esta receita pode ser feita com mexilhões maiores, limpos, sem as cascas. Nunca testei, mas só em falar já fico com água na boca.
      Beijos

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  6. Menina que lugar mais lindo em?
    Nossa adorei.. só que eu não teria coragem de andar de barco não.. Menina eu morro de medo.. mas o lugar é lindo.. fora que lugares que possuem uma história assim me fascinam.
    E vamos combinar, essa comidinha está um arraso em?
    Ai Deus que delícia..
    Um beijo mais que carinhoso e um dia especial viu?

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